Texto 03 - 1° série - ARTE
Arte e Decolonialidade
Atualmente, é cada vez mais comum que os mecanismos de legitimação da arte (como museus, galerias, centros culturais e de pesquisa, editoras e a crítica de arte) estimulem artistas indígenas, afrodescendentes ou pertencentes a outros povos e comunidades
tradicionais do país a participar do circuito artístico nacional e internacional. A esse movimento de revisão de conceitos e valores estéticos chamamos de decolonialidade ou pensamento decolonial.
Fruto de um movimento intelectual latino-americano, essa linha de pensamento tem o objetivo de realizar uma crítica à suposta universalidade atribuída ao pensamento ocidental e europeu, bem como ao predomínio dessa cultura nos saberes considerados verdadeiros. Desse modo, o conhecimento é ampliado e diversificado ao valorizar os saberes dos povos e grupos historicamente excluídos.
O que você sente ao observar a obra Floresta de infinitos de Ayrson Heráclito (1968-) e Tiganá Santana (1982-), artistas brasileiros e afrodescendentes? Nessa instalação, exposta na 35ª Bienal de São Paulo (2023), os visitantes foram convidados a entrar em uma floresta de bambus ao som de pássaros, água e canções afro-brasileiras. Dentro dessa floresta, foram projetadas imagens de orixás, ancestrais originários, caboclos e personagens da história recente do Brasil, como o ativista ambiental Chico Mendes (1944-1988), a líder religiosa mãe Stella de Oxóssi (1925-2018), o indigenista Bruno Pereira (1980-2022) e o jornalista Dom Phillips (1964-2022).

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