Há muito tempo esse tema fascina grandes pensadores. Essa arte está sob controle da vontade e se explica na Bíblia por livre arbítrio.
A arte de escolher pode ser inspirada, controlada, por impulso e por ignorância sobre o objeto da escolha, más será sempre um fazer artístico. Está em tudo que fazemos no nosso dia a dia.
Quando escolhemos buscamos o melhor equilíbrio, a maior valorização, o resultado mais satisfatório.
A arte de escolher é um fazer humano não apenas artístico, mas também político, filosófico e religioso e tem sempre um modelo padrão.
A escolha traz sempre uma consequência que tanto pode se apresentar como um bom resultado ou um mau resultado. Apesar do problema não estar no segundo caso, este também pode se apresentar como uma grande solução, porque sempre depois do maior caos, vem o maior equilíbrio. É só uma questão de conseguir enxergar.
TEXTO 02: A arte do nosso tempo
A obra Topografia da memória pode nos ajudar a pensar sobre o que é arte hoje. O modo como nos (re)conhecemos é fruto de nossas memórias. O significado que damos à arte é fruto da memória individual e coletiva, mas também do conhecimento que construímos ao longo de nossas vivências e processos educativos.
A história do Brasil é marcada por um longo processo de colonização europeia e, por isso, ainda mantém muitas ideias sobre arte que advêm da tradição ocidental. Desde a Idade Média, essa tradição manteve-se nas universidades europeias, espaços em que se reservavam os valores de tradição ocidental sobre o que é ou não o verdadeiro. Nessa perspectiva, a obra de arte era considerada um instrumento para a representação do poder da Igreja e das elites, e o artista era compreendido como um técnico requintado que só poderia trabalhar segundo os rígidos cânones artísticos da época.
Entretanto, hoje já se reconhece, inclusive nas universidades, que não são apenas os saberes da tradição ocidental que podem ser considerados válidos. Podemos afirmar que a descentralização cultural é um processo cada dia mais forte e irreversível. Durante o período colonial, os saberes europeus foram disseminados à força com o apoio da Igreja católica. Ao mesmo tempo, os saberes tradicionais dos povos originários dos continentes colonizados também foram disseminados por meio de muita luta e resistência, apesar do intenso processo de silenciamento imposto a esses grupos. Da diáspora dos povos africanos provocada pela escravidão também surgiram movimentos de resistência cultural nos diversos países para onde foram levados, entre eles, o Brasil.
Isso significa que, durante o processo de colonização, também ocorreram movimentos de resistência que geraram mudanças significativas, definindo o que conhecemos como conhecimento historicamente constituído. Assim, no final do século XX, os estudos sobre a arte passaram a questionar o eurocentrismo e o lugar de destaque atribuído tradicionalmente à produção artística ocidental, europeia, branca e majoritariamente feita por homens. Os Estudos Culturais puseram essa ideia em xeque e, em conjunto com as fortes reivindicações de povos originários e de afrodescendentes, promoveram a valorização da arte dessas culturas que formam, em conjunto com a herança europeia, a matriz cultural brasileira e a nossa identidade.
Reconhecer essas mudanças e as intensas ações de resistência dos povos excluídos nos leva a criar novas memórias que, certamente, mudarão o futuro.
Cânones: regras, preceitos ou normas.
Descentralização Cultural: processo de distribuição e democratização do acesso, produção e expressão culturais.
Estudos Culturais: estudos acadêmicos que versam sobre diversidade, multiplicidade e complexidade dentro de cada cultura, questionando relações de poder e dominação.
TEXTO 03: Arte e Decolonialidade
Atualmente, é cada vez mais comum que os mecanismos de legitimação da arte (como museus, galerias, centros culturais e de pesquisa, editoras e a crítica de arte) estimulem artistas indígenas, afrodescendentes ou pertencentes a outros povos e comunidades
tradicionais do país a participar do circuito artístico nacional e internacional. A esse movimento de revisão de conceitos e valores estéticos chamamos de decolonialidade ou pensamento decolonial.
Fruto de um movimento intelectual latino-americano, essa linha de pensamento tem o objetivo de realizar uma crítica à suposta universalidade atribuída ao pensamento ocidental e europeu, bem como ao predomínio dessa cultura nos saberes considerados verdadeiros. Desse modo, o conhecimento é ampliado e diversificado ao valorizar os saberes dos povos e grupos historicamente excluídos.
O que você sente ao observar a obra Floresta de infinitos de Ayrson Heráclito (1968-) e Tiganá Santana (1982-), artistas brasileiros e afrodescendentes? Nessa instalação, exposta na 35ª Bienal de São Paulo (2023), os visitantes foram convidados a entrar em uma floresta de bambus ao som de pássaros, água e canções afro-brasileiras. Dentro dessa floresta, foram projetadas imagens de orixás, ancestrais originários, caboclos e personagens da história recente do Brasil, como o ativista ambiental Chico Mendes (1944-1988), a líder religiosa mãe Stella de Oxóssi (1925-2018), o indigenista Bruno Pereira (1980-2022) e o jornalista Dom Phillips (1964-2022).
TEXTO 04: Os Guarani
Os Guarani estão espalhados em vários países da América Latina: além do Brasil, estão presentes na Argentina, na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai. Atualmente, vivem no Brasil em sete estados diferentes,
Divididos em três grupos: Kaiowa, Nandeva e M'byá. Os Guarani são a etnia mais numerosa do país.
Ainda que pertençam a uma mesma etnia, os Guarani apresentam algumas diferenças de um grupo para outro, principalmente no que diz respeito aos costumes, à língua e à prática ritual. Porém, um traço que pode ser apontado como característico desse povo é o fato de serem nômades. Os Guarani vivem em busca da "Terra sem Males", uma terra anunciada por seus ancestrais onde poderão viver livres e sem sofrimento ou dor, aspecto da cultura guarani que é abordado também na produção musical.
A cultura e os valores do povo Guarani (como a relação com o mundo natural e entre os membros da comunidade, a organização social, a religiosidade, etc.) são transmitidos de geração em geração por meio da tradição oral. As contações de histórias, os rituais e o canto são algumas das práticas orais que mantêm viva a cultura guarani e, por isso, são também formas de resistência desse povo.
Para os Guarani, o cuidado com a palavra e a valorização do discurso, tanto na fala como no canto, são resultados da crença de que a língua falada por eles lhes foi entregue por seu deus. Por isso, para o Guarani, a palavra é uma expressão sagrada, e o canto é uma forma de manifestar sua religiosidade.
Em nosso cotidiano, é possível notar a influência da tradição indígena em vários campos de atuação social, como:
*No artesanato feito com materiais naturais, como folhas, sementes, argila, etc.;
*Em brincadeiras e jogos, como a peteca e o jogo da onça;
*Na culinária, em pratos feitos à base de amendoim, batata-doce, erva-mate, mandioca, milho, etc.;
*Na música, no uso de instrumentos como caxixi, maracá, reco-reco, pau de chuva, etc.;
*Na língua portuguesa falada no Brasil, que tem até hoje palavras derivadas da família linguística tupi-guarani.
TEXTO 05: Classificação das vozes para o canto
As vozes podem ser organizadas e classificadas em grupos ou naipes. Elas são classificadas por gênero - vozes masculinas e vozes femininas - e de acordo com a extensão vocal ou tessitura, ou seja, o alcance de notas graves e agudas. As vozes infantis, até atingir a maturidade e passar pelas mudanças características da puberdade, têm uma classificação à parte.
Vozes masculinas , geralmente mais graves, são classificadas em:
*Tenor (corresponde à tessitura masculina mais aguda);
*Barítono (voz correspondente à região média masculina, alcança notas do tenor e do baixo, mas sem atingir os extremos graves ou agudos);
*Baixo (atinge as notas mais graves).
As vozes femininas , as mais agudas nos adultos, são divididas em:
*Soprano (voz mais aguda); meio-soprano (voz intermediária entre o soprano e o contralto);
*Contralto (mais grave).
As vozes infantis, também conhecidas como "vozes brancas", são naturalmente mais agudas que as demais. De maneira similar às vozes adultas, elas estão classificadas em: soprano (mais aguda), contralto (intermediária aguda), tenor (intermediária grave) e barítono (mais grave).
Nos corais infantis, a divisão e a organização das vozes podem variar em razão das mudanças pelas quais passam as vozes das crianças ao crescer. Por isso, não é raro que um coral infantil não seja dividido em quatro vozes.








