TEXTO
02 – QUE ARTE É ESSA?
1ºBIMESTRE
– 1ª SÉRIE
A arte do nosso
tempo
A
obra Topografia da memória pode nos ajudar a pensar sobre o que é arte hoje. O
modo como nos (re)conhecemos é fruto de nossas memórias. O significado que
damos à arte é fruto da memória individual e coletiva, mas também do
conhecimento que construímos ao longo de nossas vivências e processos
educativos.
A
história do Brasil é marcada por um longo processo de colonização europeia e,
por isso, ainda mantém muitas ideias sobre arte que advêm da tradição
ocidental. Desde a Idade Média, essa tradição manteve-se nas universidades
europeias, espaços em que se reservavam os valores de tradição ocidental sobre
o que é ou não o verdadeiro. Nessa perspectiva, a obra de arte era considerada
um instrumento para a representação do poder da Igreja e das elites, e o artista
era compreendido como um técnico requintado que só poderia trabalhar segundo os
rígidos cânones artísticos da época.
Entretanto,
hoje já se reconhece, inclusive nas universidades, que não são apenas os
saberes da tradição ocidental que podem ser considerados válidos. Podemos
afirmar que a descentralização cultural é um processo cada dia mais forte e
irreversível. Durante o período colonial, os saberes europeus foram disseminados
à força com o apoio da Igreja católica. Ao mesmo tempo, os saberes tradicionais
dos povos originários dos continentes colonizados também foram disseminados por
meio de muita luta e resistência, apesar do intenso processo de silenciamento imposto
a esses grupos. Da diáspora dos povos africanos provocada pela escravidão
também surgiram movimentos de resistência cultural nos diversos países para
onde foram levados, entre eles, o Brasil.
Isso
significa que, durante o processo de colonização, também ocorreram movimentos
de resistência que geraram mudanças significativas, definindo o que conhecemos
como conhecimento historicamente constituído. Assim, no final do século XX, os
estudos sobre a arte passaram a questionar o eurocentrismo e o lugar de
destaque atribuído tradicionalmente à produção artística ocidental, europeia,
branca e majoritariamente feita por homens. Os Estudos Culturais puseram essa
ideia em xeque e, em conjunto com as fortes reivindicações de povos originários
e de afrodescendentes, promoveram a valorização da arte dessas culturas que
formam, em conjunto com a herança europeia, a matriz cultural brasileira e a
nossa identidade.
Reconhecer
essas mudanças e as intensas ações de resistência dos povos excluídos nos leva
a criar novas memórias que, certamente, mudarão o futuro.
Cânones:
regras, preceitos ou normas.
Descentralização
Cultural: processo de distribuição e democratização do acesso, produção e
expressão culturais.
Estudos
Culturais: estudos acadêmicos que versam sobre diversidade, multiplicidade e
complexidade dentro de cada cultura, questionando relações de poder e
dominação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário